Além de produzir as 9 faixas do disco – que traz covers de Yoko Ono, Bod Dylan e Ray Davies, entre outros – Geoff também ‘emprestou’ o Beak> como banda de estúdio para Anika. O resultado é um álbum em que o dub, o pós-punk e a sonoridade das girl groups se fundem gerando algo experimental, minimalista e sombrio, trazendo à memória obscuridades do fim dos 70’s/começo dos 80’s, como o Malaria!

Inquieta, na metade daquela década Anika fez sua estréia no México tendo como parceiros nos palcos Hugo Quezada, Martin Thrulin e Hector Melgarejo. Da convivência entre eles nasceu o Exploded View, ainda mais experimental e politizado, que até agora lançou dois álbuns e um EP (Exploded view, em 2016; Summer come early, em 2017 e Obey, em 2018. Nesse meio tempo ela também colaborou com Tricky, Dave Clarke, Shackleton e I Like Trains. Prolífica?

Em 2021 durante a maldita pandemia de Covid 19 e 11 anos após debutar, Anika ressurge com Change, um disco menos cabeçudo, mais eletrônico e ‘pop’ que seu predecessor, gravado em Berlim com seu parceiro de Exploded View, Martin Thrulin. Em comum, os temas das composições e a voz fria de Anika à frente de tudo.

Corta para abril de 2025: mais uma vez trabalhando ao lado de Thrulin mas desta vez inspirada pelo grunge – em especial pelo Hole de Courtney Love – Anika ressurge com Abyss, seu disco mais ‘roqueiro’ até agora, soando como se sua raiva e frustrações com os caminhos da humanidade escorressem das letras para as guitarras. Ouça “Out of the shadows” e ateste.

Graças a sua versatilidade e desprendimento de amarras estéticas e igualmente por ser uma voz de confronto num mundo onde imagens falsas valem mais que palavras verdadeiras, Anika é uma figura essencial no universo da música.

Que siga assim, autêntica, combativa e sem medo de experimentar.

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